Observe o mapa das áreas indígenas do Rio Grande do Sul, abaixo. Ele foi feito por órgãos do Estado em 2012. Nele, você pode observar várias das áreas ocupadas pelos povos Guarani Mbya.

Áreas Indígenas no Rio Grande do Sul, 2012. Disponível em http://www.atlassocioeconomico.rs.gov.br/upload/Areas_indigenas_RS.pdf.

 

As lideranças políticas brasileiras têm se mantido distante da situação das terras indígenas, e do desrespeito aos direitos constitucionais indígenas, por suas terras tradicionalmente ocupadas. As lideranças políticas Guarani Mbya, no caso, os caciques, vem se organizando em movimentos indígenas nas regiões onde vivem, para reivindicar terras em que os povos Guarani Mbya possa viver de acordo com  o nhandereko (sistema cultural Guarani Mbya). Uma das formas de resistência e luta, em relação à indiferença e desrespeito às leis indigenistas por parte das autoridades e da sociedade não indígena, é a ocupação de terras que possibilitam o uso tradicional, e, portanto,  religioso da terra pelas comunidades Guarani Mbya. As ocupações servem para reivindicar o  processo de demarcação destas terras, e para que os Guarani Mbya possam transitar entre as aldeias demarcadas, visitando seus parentes, pois encaram a terra como sendo de Nhanderu, não havendo donos, sendo vivida coletivamente . Afinal, todas as terras já eram ocupadas pelos povos indígenas, antes da chegada dos juruá (não indígenas)… como no Rio Grande do Sul:

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O cacique Ariel Ortega participa desta luta pela demarcação das Terras Indígenas Guarani Mbya. O filme Desterro Guarani (2011) faz parte da reflexão de Ariel para entender como os Guarani Mbya passaram a ficar sem terras, se habitavam toda a extensão que hoje compõe o Rio Grande do Sul, e por que seus direitos originários não são respeitados. Ele utiliza o filme como uma forma de denúncia, e de luta pelos direitos territoriais Guarani Mbya. Uma das áreas reivindicadas pelos movimentos Guarani, é a Mata São Lourenço, local de uma antiga aldeia Mbyá-Guarani que lá existiu até a década de 1960, tendo talvez dois mil hectares de floresta em duas grandes manchas de concentração de espécies nativas maduras, localizada nas nascentes de córregos formadores do arroio Santa Bárbara (para sul), próximo ao divisor de águas com os formadores do arroio Urucuá (para norte), sendo trespassada pela estrada municipal sem pavimentação que faz a ligação interior e mais curta entre a cidade de São Miguel e o povoado de São Lourenço, distando poucos quilômetros desta cidade no caminho que unia estes que foram dois dos Sete Povos das Missões.

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Algumas das Terras Indígenas Guarani Mbya no Rio Grande do Sul foram compradas pelo governo do Estado a alguns anos, para que os povos Guarani possam viver. Mas os Guarani Mbya tem lutado pela sua demarcação, pois ser comprada e cedida para os povos indígenas, não é a mesma coisa que assegurar o uso tradicional à terra, por parte dos povos indígenas. Conforme explica o historiador Clóvis Brighenti:

Terra Indígena é uma categoria jurídica empregada para definir os locais ocupados de maneira tradicional pelos indígenas, cujos direitos antecedem a formação do Estado brasileiro.

Reserva Indígena também figura como categoria jurídica, porém é criada pelo governo brasileiro quando não é possível comprovar a ocupação tradicional. (BRIGHENTI, 2015, p. 147).

Isto significa que os Guarani Mbya lutam para que suas reservas se transformem em Terras Indígenas, com mais espaços para poderem viver segundo o mbya reko (modo de ser Guarani Mbya)…

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Para poderem viver segundo o mbya reko, as tekoá (espaços onde os Guarani Mbya vivem seu modo de ser) precisam ter as condições que existam elementos que são essenciais na cultura Mbya. Este é o caso da Aldeia Mymba Roka, que foi adquirida em 2007, tendo sido uma fazenda anteriormente. Entretanto, os Guarani Mbya encontraram condições para construir seus espaços sagrados, como a Opy (Casa de Reza)…

Figura 05 – Amaral ˗ Desenho da Comunidade indígena Mymba Roka. Autor: Ronaldo A.Barbosa, Biguaçu – 16/01/15.

 

Figura 06 – Opy (casa de reza) da Aldeia Mymba Roka. Foto de Ronaldo A. Barbosa. 25/01/2013. (BARBOSA, 2015, p. 23).

 

A Aldeia Mymba Roka, […] está localizada no município de Biguaçu, mas a 30 km da cidade, no Bairro de Sorocaba de Dentro, na estrada do Amâncio. Foi adquirida em 2007 como medida mitigadora, onde algumas famílias da aldeia Maciambu se mudaram para a aldeia de Imaruí, e algumas famílias escolheram essa nova aldeia. Mymba Roka tem mais biodiversidade de fauna e flora. Com 509 hectares de terra tem mais mata e várias nascentes com espaço para roças, caças, coleta de frutas, coleta de matéria prima, criações de animais e espaço para lazer, longe da correria das cidades.

O antigo morador era criador de gado e tinha um espaço com eucaliptos plantados e um pouco de palmeira real que danificou alguns pontos da aldeia, mas agora estas áreas já estão se recuperando. O cacique da aldeia se chama José Benites que também é professor da aldeia e acadêmico da Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica. Atualmente ali vivem em torno de 20 famílias, possuem uma escola numa casa de alvenaria da comunidade até que se faça uma estrutura escolar adequada para os alunos. Há também uma Casa de Reza, a Opy que foi construída em um lugar especial na aldeia, conforme a imagem demonstra na Figura 06. (BARBOSA, 2015, p. 23).

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