Neste processo de descoberta do Nhe’e, o Tataxina (fumaça sagrada) exalado do petynguá é essencial, pois a fumaça forma uma conexão, um portal pelo qual o Karaí e a Kunhã Karaí (anciões e anciãs que são lideranças espirituais da aldeia), ouvem e sentem Nhanderú Tenondé. Através do Karaí e da Kunhã Karaí, é transmitido aos demais Guarani Mbya os saberes sobre a origem de seus Nhe’e. Às vezes, durante a meditação e o transe pelo qual o Karaí e a Kunhã Karaí passam para descobrir a origem do Nhe’e, os anciões podem não ouvir direito o que Nhanderú fala, e assim o Nhe’e de uma pessoa pode ser trocado. Isso pode deixar a pessoa infeliz, pois não irá conseguir manter o seu Nhe’e próximo, ficando assim desprotegida, e distante da morada sagrada. Por isso, as vezes os adultos também são batizados, para descobrir o seu Nhe’e, e a fumaça do petynguá precisa ser respeitada para que o processo dê certo. Além de ser utilizado para batizar pessoas, durante o nhemongaraí o petynguá também é usado para batizar os alimentos, principalmente o  milho e a erva mate, cujos grãos e ervas são sagrados, e recorrentes nas áreas em que os Guarani Mbya formam suas tekoá (espaço onde os Guarani Mbya mantem seu modo de ser), geralmente em  biomas da Mata Atlântica.

Pablo Karai Martins (ao redor do fogo, vendo preparação do fumo, para o nhemongarai- batismo dos alimentos). Foto: (Davi Timóteo Martins). (MARTINS, 2015, p. 45).

 

 

[…] (preparação do fumo para o nhemongarai- ritual para dar nomes). Foto: (Davi Timóteo Martins). (MARTINS, 2015, p. 51).

 

[…] petyngua – cachimbo guarani. (MARTINS, 2015, p. 41-42).

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