A territorialidade Guarani Mbya não é apenas uma questão geográfica. Ela está relacionada ao espaço espiritual, e por isso as terras Guarani precisam ter condições para manter condições fundamentais em seu modo de ser, para seguir sua caminhada. Para os Guarani Mbya, é impossível haver tekoá (espaços onde os Guarani Mbya vivem seu modo de ser) sem Opy (casa de reza). É na Opy que as pessoas mergulham no Mbya reko (modo de ser guarani Mbya). Ela é como se fosse a universidade Guarani, onde a comunidade aprende os saberes e os valores, imergindo na espiritualidade que existe no  nhandereko (sistema cultural Guarani Mbya).

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Os guarani mbya mantem suas práticas de plantação, confecção artesanal, e outras atividades sagradas realizadas nas tekoá, em torno da Opy. Nestes momentos, o compartilhamento coletivo das atividades assume função espiritual, quando trocam histórias, saberes e intensificam a vivência em coletividade que existe no mbya reko (modo de ser Guarani Mbya). O cacique Ariel Ortega procurou registrar a importância da Opy no filme Bicicletas de Nhanderu (2011). O filme conta a história da construção de uma nova Opy na Tekoá Koenju, através dos sinais dos deuses (seus sonhos, e um raio que atingiu uma árvore nas matas da aldeia) que levaram o  karaí (liderança espiritual) da tekoá, Karaí Tataendi, a liderar os Guarani Mbya na construção da Opy. A construção da Casa de Reza demonstrou a sua importância fundamental na transmissão dos saberes tradicionais Guarani Mbya, e na vivência coletiva inerente à cultura Guarani.

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Assim, a Opy é a verdadeira universidade Guarani Mbya. É onde os mais velhos ensinam os sentidos da vivência do mbya reko, e onde os Guarani Mbya se tornam Guarani ete’i (verdadeiro). Entretanto, por falta de condições territoriais, uma aldeia pode perder sua Opy, ficando sem condições de manter a tekoá. Por isso, os Guarani Mbya reivindicam territórios em que possam manter os elementos necessários para existir tekoá (espaço onde os Guarani Mbya vivem seu modo de ser), e a Opy é imprescindível para isso. Assista ao vídeo da campanha Opy, o chamado, que reivindica a ajuda de indígenas e não indígenas para a construção de uma nova Opy na Tekoá Itaty (aldeia Morro dos Cavalos). A estrutura da antiga Opy da aldeia cedeu em 2012, e desde então, estão sem tekoá, o que gera um grande impacto em sua cultura, e em suas manifestações espirituais…

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Mas os Guarani Mbya também tem escolas em suas tekoá, além da Opy. Os povos Guarani reconhecem a importância de aprender os saberes vindos do mundo não indígena, pois estão inevitavelmente dentro deste mundo, e convivem com ele diariamente. Entretanto, as escolas Guarani Mbya estão totalmente ligadas às atividades da Opy, e aos mais velhos da tekoá. Estas comunidades Guarani Mbya compreendem algo que muitos não indígenas aparentam ainda não entender: não existem conhecimentos superiores a outros conhecimentos…

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